FÉ E NOVA EVANGELIZAÇÃO

Nova evangelização: "Deus vive na cidade e a Igreja vive na cidade. A missão não se opõe a ter que aprender com a cidade - as culturas e as suas mudanças - ao mesmo tempo que saímos a pregar o evangelho. E isto é fruto do próprio Evangelho, que interage com o terreno em que cai como semente. Não só a cidade moderna é um desafio mas também o foi, o que é e o que será toda a cidade, toda a cultura, toda a mentalidade e todo o coração humano". (25 de Agosto de 2011)

"Igreja de portas abertas não só para receber mas fundamentalmente para sair e levar o Evangelho à rua e à vida dos homens do nosso tempo". (1 de Outubro 2012)

Perigo de se perder no mundano: "O pior mal que pode atingir a Igreja: cair na mundanidade espiritual [...] Essa mundanidade espiritual de fazer o que fica bem, ser como os outros, dessa burguesia do espírito, dos horários, de viver bem, do estatuto". (2 de Setembro de 2012)

Ano da fé: "Quando não se passa pela porta da Fé, a porta fecha-se, a Igreja encerra-se, o coração retrai-se e o medo e o mau espírito ‘avinagram' a Boa Noticia. Quando o Crisma da Fé fica rançoso, o evangelizador já não contagia mas perdeu o seu perfume, constituindo-se muitas vezes em causa de escândalo e de afastamento para muitos.

Aquele que crê é receptor daquela bem-aventurança que atravessa todo o Evangelho e que ressoa ao longo da história, quer nos lábios de Isabel: ‘Feliz de ti por teres acreditado', quer dirigida pelo próprio Jesus a Tomé: ‘Felizes os que creem sem terem visto!'" (9 de Junho de 2012)

"Atravessar essa porta supõe empreender um caminho que dura toda a vida enquanto avançamos diante de tantas portas que hoje em dia se nos abrem, muitas delas portas falsas, portas que convidam de maneira muito atrativa mas mentirosa a passar por elas, que prometem uma felicidade vazia, narcisista e com fim marcado; portas que nos levam a encruzilhadas nas quais, qualquer que seja a opção que tomemos, provocarão a curto prazo angústia e " desordem" (1 de Outubro de 2012)

FAMÍLIA

Casamento gay: "Está em jogo a identidade, e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos. Está em jogo a vida de tantas crianças que serão discriminadas de antemão, sendo privadas da maturidade humana que Deus quis que se desse com um pai e uma mãe. Está em jogo uma recusa frontal à lei de Deus, gravada além do mais nos nossos corações. Não sejamos ingénuos: não se trata de uma simples luta política; é a pretensão de destruir o plano de Deus. Não se trata de um mero projecto legislativo (este é só o instrumento) mas sim de uma ‘agitação' do pai da mentira que pretende confundir e enganar os filhos de Deus". (8 de Julho de 2010)

Aborto: "O aborto nunca é solução. Devemos escutar, acompanhar e compreender onde estamos a fim de salvar as duas vidas: respeitar o ser humano mais pequeno e indefeso, adoptar medidas que podem preservar a sua vida, permitir o seu nascimento e depois sermos criativos na procura de caminhos que o levem ao seu pleno desenvolvimento". (16 de Setembro de 2012)

Individualismo: "A porta fechada é o símbolo do tempo actual. É algo mais que um simples dado sociológico; é uma realidade existencial que vai marcando um estilo de vida, um modo de encarar de frente a realidade, face aos outros, face ao futuro. A porta fechada da minha casa, que é o lugar da minha intimidade, dos meus sonhos, das minhas esperanças e sofrimentos assim como das minhas alegrias, está fechada para os outros. E não se trata só da minha casa material, é também o âmbito da minha vida, o meu coração. São cada vez menos os que podem atravessar esse limiar. A segurança das portas blindadas guarda a insegurança de uma vida que se torna mais frágil e menos permeável às riquezas da vida e do amor dos outros". (1 de Outubro de 2012)

SOCIEDADE

O relativismo e o poder, duas tentações para a política: "Esta ‘loucura' do mandamento do amor que propõe o Senhor e nos defende o nosso ser afasta as outras "loucuras" tão quotidianas que mentem e pervertem e terminam impedindo a realização do projecto de Nação: a do relativismo e a do poder como ideologia única. E relativismo que, com a desculpa do respeito pelas diferenças, cria homogeneidade na transgressão e na demagogia; permite tudo para não assumir a contrariedade que exige a coragem madura de sustentar valores e princípios. O relativismo é, curiosamente, absolutista e totalitário, não permite diferir do próprio relativismo, em nada difere do "cale-se" ou "não se meta". O poder como ideologia única é outra mentira. Se os preconceitos ideológicos deformam o olhar sobre o próximo e a sociedade segundo as próprias seguranças e medos, o poder feito ideologia única acentua o foco persecutório e preconceituoso de que "todas as atitudes são esquemas de poder" e "todos procuram dominar sobre os outros". Desta maneira se desgasta a confiança social que, como assinalei, é raiz e fruto do amor". (25 de Maio de 2012)

Justiça social: "A justiça é que alegra o coração: quando há para todos, quando se vê que há igualdade, equidade, quando cada um tem o seu. Quando se vê que é para todos, se nasceu rico, sente uma felicidade especial no coração [...] Que desprezível, pelo contrário, o que amealha só para o seu hoje, o que tem o coração pequenino de egoísmo e só pensa em guardar essa fatia que não levará quando morrer. Porque ninguém leva nada. Nunca vi um camião de mudanças atrás de um cortejo fúnebre. A minha avó dizia-nos: a mortalha não tem bolsos" (7 de Agosto de 2012).

"Porque aqui em Luján [santuário mariano], recebe-se e escuta-se cada peregrino. E ser recebidos e escutados é um grande acto de justiça [...] E por isso surge esta necessidade de sermos mais irmãos, ocupar-nos mais e melhor uns dos outros. Isto é ser justo. Aqui em Luján aprendemos a ser pessoas justas, porque com o coração sereno e perdoado, nos enchemos do amor de Deus, por isso o olhar é muito mais profundo. É olhar a vida a partir de Deus, é olhar a vida com Deus, que é O justo, o grande Justo". (6 de Outubro de 2012)

Desencanto: "O desencanto tem uma dimensão escatológica. Ataca indirectamente, pondo entre parêntesis toda a atitude definitiva e, em seu lugar, propõe esses pequenos encantamentos que fazem de "ilhas" ou de "tréguas" frente à falta de esperança ante o caminhar do mundo em geral. Daí que a única atitude humana para romper encantos e desencantos seja colocarmo-nos perante as últimas coisa e perguntarmo-nos: em esperança, vamos de bem para melhor a subir ou de mal a pior a descer? E surge então a dúvida.

Como podemos responder? Temos, como cristãos, a palavra e os gestos que marquem o caminho da esperança para o nosso mundo? (8 de Maio de 2011)

Tráfico humano: "Hoje nesta Cidade queremos que se ouça o grito, a pergunta de Deus: Onde está o teu irmão? (...) Talvez alguém pergunte: Que irmão? Onde está o teu irmão oprimido? O que estás a matar todos os dias na fábrica clandestina, na rede de prostituição, nos grupos de crianças que usas para a mendicidade, para "campanha" de distribuição de droga, para roubá-los e prostituí-los...? Onde está o teu irmão que tem de trabalhar quase às escondidas do capataz porque ainda não está legalizado... Onde está o teu irmão? E perante estas perguntas podemos fazer, como fez o sacerdote que passou ao lado do ferido, fazermo-nos distraídos; como fez o levita, olhar para outro lado, porque não é para mim a pergunta mas sim para outro. A pergunta é para todos! Porque nesta Cidade está instalada a prática do tráfico de pessoas, esse crime mafioso e aberrante!" (25 de Setembro de 2012).

ACÇÃO DA IGREJA

Numa entrevista a Andrea Tornielli para o Vatican Insider (24-02-2012), Bergoglio dava algumas ideias sobre a ação da Igreja.

Sair à rua: Se a Igreja permanece fechada em si mesma, auto-referencial, envelhece. Entre uma Igreja lesionada que sai à rua e uma Igreja doente po autorreferencialidade, não tenho dúvida nenhuma: prefiro a primeira.

[Em Buenos Aires] Procuramos o contacto com as famílias que não frequentam a paróquia. Em lugar de ser só uma Igreja que acolhe e que recebe, tratamos de ser uma Igreja que sai de si mesma e que vai até aos homens e às mulheres que não a frequentam, que não a conhecem, que saíram, indiferentes.

Organizamos missões nas praças públicas, nas quais se reúne muita gente: rezamos, celebramos a Missa, propomos o Batismo que administramos depois de uma breve preparação. É o estilo das paróquias e da própria diocese. Além disso, tratamos de chegar às pessoas que se encontram longe mediante os meios digitais, a rede e as mensagens curtas.

Servir: O cardinalato é um serviço, não é uma honra para se orgulhar. A vaidade, o alardear, são uma atitude da espiritualidade mundana, que é o pior pecado da Igreja. (...) O arrivismo, a busca do sucesso, pertencem totalmente a esta espiritualidade mundana.

Escândalos: É um convite para ver a Igreja santa e pecadora, ver certas faltas e certos pecados sem perder de vista a santidade de tantos homens e de tantas mulheres que actuam na Igreja de hoje. Não devo escandalizar-me porque a Igreja é minha mãe: devo ver os pecados e as faltas como se visse os pecados e faltas da minha mãe. E quando me lembro dela, recordo sobretudo muitas coisas belas e boas que fez, não tanto as faltas ou os seus defeitos. Uma mãe defende-se com o coração cheio de amor, antes de usar a palavra. Pergunto-me se no coração de muitos dos que entram nesta dinâmica dos escândalos haverá amor à Igreja.

A Cúria Romana: Eu vejo-a e vivo-a como um organismo de serviço, um organismo que me ajuda e me serve. Às vezes chegam notícias não tão boas, frequentemente ampliadas e às vezes manipuladas com sensacionalismo. (...) A Cúria romana tem defeitos, mas parece-me que se sublinha demasiado o mal e demasiado pouco a santidade de muitíssimas pessoas consagradas e leigas que trabalham ali.

Aceprensa