miopapa
 
Não podemos afirmar que seja, como diz a revista Forbes, o quarto homem mais influente do planeta. Mas o certo é que o Papa Francisco atrai. Os principais títulos sabem disso e não duvidam em dedicar-lhe a primeira página. Em menos de nove meses, a revista Time mostrou-o três vezes na capa, a última para o proclamar personalidade do ano. O ímpeto do Papa não deixa indiferente.
Mas, porquê conformar-se com mostrá-lo a conta-gotas? Alguns media começaram a dar-se conta do filão económico de Francisco e decidiram-se a tirar um lucro "regular" da sua popularidade. A esta lógica responde o lançamento da nova revista Il mio Papa, que desde 5 de Março está à venda em Itália todas as quartas-feiras. A publicação é do Grupo Mondadori, que por sua vez pertence ao mundo empresarial de Berlusconi. O atrativo é duplo: o Papa proclama valores religiosos e morais no mundo, mas os analistas de mercado dizem-nos que além disso "vende". E é precisamente disso que precisa a Mondadori: recuperar as fortes perdas e os cortes salariais que tinha anunciado. A sua tábua de salvação: o Papa e a ambiciosa tiragem inicial de meio milhão de exemplares, que distam tanto, por exemplo, dos 4 600 da edição semanal em italiano de L'Osservatore Romano, propriedade da Santa Sé.
 
Quais são os ingredientes que fazem com que a publicação seja tão otimista? Primeiro e fundamentalmente, porque é a única a dedicar-se exclusivamente ao Papa. Além disso, dentro de pouco o projecto incluirá uma versão online e canais importantes no Facebook e Twitter.
Por outro lado, a revista é de estilo popular. Assim o confirma o preço de lançamento, 50 cêntimos, o predomínio das imagens, com muita cor e de fácil leitura. Fotografias do Papa por todo o lado e um encarte de página dupla que o confirma como superstar da fé. Por último, são utilizados todos os recursos necessários para apelar ao sentimento dos leitores, que ainda por cima podem contribuir partilhando cartas e orações. A revista semanal pretende seguir passo a passo da actividade do Papa, com presença obrigatória na audiência geral das quartas-feiras e no Angelus dos domingos.

É muito cedo ainda para emitir um juízo, mas de momento é animador ver o mesmo grupo editorial que há pouco tempo se empenhava em dar as primeiras notícias sobre o Vatileaks a transformar-se em líder da claque do Papa Francisco, e, quem sabe?, da missão evangelizadora. De qualquer modo, espero que nem a lógica mercantilista acabe por se impor às boas intenções nem que a mensagem acabe vítima do sensacionalismo.

Carolina Canales Mateo