Esta poesia cinematográfica de Naomi Kawase está enraizada na maravilhosa tradição oriental que é capaz de retratar o que é humano de forma tão poética como incisiva. É uma arte que no Ocidente se manifestou no neo-realismo italiano, ou em realizadores isolados como Bresson e Kaurismäki. Agora, esgotado o manancial, parece que só nos oferecem remakes, spin-off, reboots ou sequelas.

Neste caso, Kawase dá-nos o prazer de contemplar um tema muito explorado na história do cinema, e no entanto aqui reinventado de forma original: a imersão de uns adolescentes na verdade da vida. Katio vive com a mãe, que está divorciada e a passar por uma fase instável. Por sua vez, Kyoko, que tem uma família exemplar, procura entender a doença terminal da sua mãe e o significado da vida e da morte.

agua

Ambos os processos de amadurecimento terão como cenário a imponente natureza do mar - fotografada por Yutaka Yamazaki - numa atmosfera de uma profunda religiosidade pré-cristã. Os protagonistas serão capazes de amadurecer quando souberem abraçar o limite humano, tanto o próprio e o alheio, como o grande limite da morte. Um filme que descreve muito bem o coração humano, desejoso de significado e ferido pelo anelo de felicidade.

Juan Orellana


*(X: sexo)